Fã-repórter: Família Emicida entrevista… Emicida!

Em entrevista coletiva para a seção Fã-Repórter, os membros do fã-clube espalhado por todo o país tiram suas dúvidas a respeito das ideias e projetos do rapper

Organizados em diversos estados, ligados pelas redes sociais, estão fãs que formam uma família unida pelos laços da arte: a Família Emicida.  Criado em julho de 2014, o fã-clube se organiza para estar sempre presente nos shows pelo país, carregando a habitual faixa, marca registrada, além de postar notícias e homenagens em sua página do Facebook.

Em um papo realizado por e-mail, eles entrevistaram coletivamente Emicida para a seção Fã-Repórter. As respostas foram dadas logo após os shows do carnaval em Recife, e as fotos que ilustram a matéria são dos “parentes” que representaram a cidade!

Tininho Silva: O que você pensa e o que faz, quando vê tatuagens em outras pessoas relacionadas a você?
Emicida: Eu gosto de pensar que aquilo é uma conexão maior do que fã e artista. Me faz pensar no quão forte a poesia chegou naquela pessoa e fez com que ela se visse naquilo e quisesse estar com aquelas letras gravadas para sempre na pele, é mágico perceber que alguém nesse planeta se identificou com o que você fez de coração, o universo é muito grande.

Erika Santos: O que você sente vendo a família Emicida crescendo pelos quatro cantos do Brasil? Dá mais inspiração para compor?
Emicida: 
Eu e Rashid já fizemos cada loucura para ver nossos ídolos de perto, poderíamos listar isso um dia, então eu acabo me vendo muito nuns doido tipo o Emerson em Recife que foi no show nos dois dias, em toda a rapaziada que vivo trombando nos shows, a música ajuda a gente a construir uma outra família às vezes é assim que me sinto em relação aos fã clubes e com o Família Emicida não é diferente. Acabamos nos tornando uma grande família espalhada pelo mundo todo.

Taty/Micael/Thiago: Já tem alguma ideia pro próximo disco? E em relação a África, ainda tem muito que precisamos saber sobre ela?
Ideias eu tenho todo dia, vivemos num país em que toda hora acontecem mil coisas. Isso deixa a minha cabeça fervendo muito, mas acho cedo para começar a falar disso, quero pesquisar mais e voltar a estudar. Sobre a áfrica o que eu fiz foi sugerir que se olhe mais para lá e com outros olhos, mas ela sempre esteve nos outros discos e vai continuar nos próximos de alguma forma por que tudo o que fazemos é fruto da diáspora africana. Por ser uma história apaixonante gosto de ajudar a compartilhar ela e respondendo a sua pergunta, sim, precisamos saber de muito mais…

Adrielle Amaral: Como é ser conhecido, viver com a cara na mídia e mesmo assim sofrer racismo? A dor é maior?
Emicida: 
Não acho que eu sofra mais com isso por ser famoso, acho que eu tenho a oportunidade de ver com mais frequência como isso é nojento em nossa sociedade. É triste, mas se tem uma coisa em que nos especializamos nos últimos três séculos foi em resistir e seguir em frente. Eu tenho seguido em frente, por mim, pelos que se foram e pelos que virão.

Lisboa/Tininho/Moises: O sucesso de hoje foi o mesmo que imaginou no início da carreira? Qual foi o rapper brasileiro que mais o ajudou nessa trajetória?
Emicida: 
No melhor dos meus sonhos eu era menos do que sou hoje. Sempre digo isso, faço rap desde um tempo em que não havia essa ambição de ser famoso, a parada era dar uma ideia bacana nos irmãos e nas irmãs, sigo com esse propósito. Um cara muito especial em minha trajetória é o Kamau, ele foi um cara fundamental para mim e para vários outros MCs, mas infelizmente o hip hop brasileiro tem um hábito feio de só entregar flores para seus ídolos depois que eles não podem mais sentir o cheiro delas.

Tatyane: Qual a música que você mais sente quando canta?
Emicida: 
Varia muito de tempos em tempos, ando apaixonado por Baiana nesse momento. Aquela música é uma viagem muito gostosa.

Família Emicida: Três palavras para realizar um sonho
Emicida: 
Supere você mesmo.

Lara: A crítica sem sentindo te ajuda? E a crítica construtiva já te magoou?
Emicida: 
Criticas sem sentido não ajudam a ninguém, só mostram o quanto as pessoas idiotas são corajosas e gritam alto o que deveriam manter em silêncio. Mas críticas construtivas são sempre boas. Uma vez um cara que nem era fã me disse que minhas músicas estavam parecendo um quiz. Eu ri na hora e depois fiquei pensando nisso. Era verdade. Eu era muito repetitivo na ideia de ficar dizendo quem era verdadeiro e quem era falso. Parei com isso. Ficar julgando os outros é muito chato. Virei o espelho para mim e minha prioridade tem sido corrigir os meus erros antes de apontar os dos outros. Nem sempre é confortável, mas é sempre engrandecedor fazer essa passagem.

Família Emicida: O que dizer dos rappers Gabriel O Pensador, e o iniciante Fabio Brazza?
Emicida: 
Gabriel é muito especial, um cara muito importante e que sinto uma grande responsabilidade quando pega a caneta. Gosto muito dele. Sei várias músicas inteiras. Sobre o Fábio Brazza eu vi um vídeo dele uma vez, não acho que ele seja um rapper e isso não é uma ofensa a ele, mas acho que ele é um cara que recita uns textos, posso estar equivocado, mas nunca vi ele rimando mesmo, saca? Rima, batida e flow, se ele faz isso também eu nunca vi. Só vi recitando algumas coisas no YouTube.

Israel: Dessas músicas do novo álbum, qual foi a que você se sentiu mais realizado quando termino de escrever?
Emicida: Mufete, acho que ela faz justiça a energia que pudemos sentir estando em Angola e Cabo Verde.

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